Sou apenas uma garota
Eu assisto muito
seriados e filmes, porque é uma das coisas que eu mais gosto de fazer na vida.
Muitos desses seriados e filmes são de época, a grande maioria deles, e eu fico
apaixonada por cada época retratada. Maravilhada! Muitas vezes, eu fico triste,
porque não nasci naquela época que vi no filme/seriado e como eu queria viver
em outro século! Aqueles casarões, aqueles vestidos, carruagens, aquelas
lanchonetes, aquelas etiquetas... Fico sonhando perdida em devaneios por
séculos passados e imaginando como seria a minha vida antigamente. Vocês podem me
chamar de maluca, mas eu simplesmente amo histórias de épocas antes de mim e é
por isso que eu amo a matéria de História! E o que é História, se não um grande
livro escrito por toda humanidade e não finalizado, sendo escrito ainda por
nós?
Mas, então, fora
esses devaneios, começo a observar mais a fundo a vida das mulheres dos outros
séculos e começo a pensar se vale mesmo a pena sonhar com o passado. Isso só
foi mais incentivado quando eu li Perdida da Carina Rissi. Eu amei o livro!
Imagine voltar para o século XIX e encontrar um Ian Clarke? E ainda acompanhado
de vestidos bufantes, bailes e carruagens? É um sonho meu realizado em um
livro. Mas... E se não encontrássemos um Ian Clarke (lindo, mente aberta,
cavalheiro, inteligente, bom coração)? E se encontrássemos um ignorante,
machista? Certamente, o livro não seria tão maravilhoso. Correríamos o risco de
sermos colocadas à margem da sociedade ou pior, assediadas. E a maioria dos
homens do século XIX pensava que mulheres tinham que ficar em casa,
comportadas, educadas, prendadas, cuidando dos filhos (se bem que tem muito
homem que ainda pensa isso, né?) e eles não as tratavam com amor e carinho, não
davam respeito, porque elas “eram só mulheres”.
Ians eram raros, minhas queridas amigas!
E olhem mais uma coisa que aprendi com a Carina: Se um cara dançasse com
você em um baile, mais do que três danças, certamente, ele pediria a sua mão!
Enquanto, hoje, dançamos com um cara dez músicas e nem sequer sabemos o nome
dele! Tipo: Oi? Nós só dançamos juntos!
Outra história
fictícia que me deixa com vontade de morar nela é: Downton Abbey. Sim, há
mulheres que trabalhavam já naquela época (início do século XX), mas observem
que eram apenas as mais pobres. As mais ricas e nobres não trabalhavam e ai, se
trabalhassem! Ficavam na boca do povo. Elas tinham que viver com dondocas,
apenas chás, visitas a comadre vizinha, jantares beneficentes e trocas de
roupas, muitas roupas! Vestido do café da manhã, que era o que elas passavam o
dia, vestido do chá da tarde (Downton Abbey tem toneladas de chá) e o do jantar
que era o mais chique de todos, tipo, elas se arrumam para o jantar em casa
como se fosse para irem a um casamento! Parece bacana viver assim, mas pensando
bem, nem tanto, é claro que tem gente com vocação para dondoca, porém pensa ser
obrigada a ser um bibelô! Acho que eu não suportaria...
Mais um seriado,
agora de uma década que sou super apaixonada! Décadas de 1950, 1960! The
Astronaut Wives Club, um achado divertido e histórico! Parece que realmente
aconteceu essa história. O seriado se passa na Guerra Fria e os maridos dessas
esposas são astronautas em um período de corrida espacial, eles são
praticamente celebridades! Mas, enquanto seus maridos estão no espaço,
“lutando” por seu país. Elas estão em casa cuidando da família, fazendo doces e
pousando para fotos. Tem até uma das esposas que quer ser astronauta, mas não
pode, porque ela é mulher! O seriado tem vestidos lindos e maravilhosos, mas
vale a pena viver em 1950 e não ter voz, só por causa de aparências?
Outro seriado que é mais ou menos nessa época é Call The Midwife. Gente, que
série! As enfermeiras retratadas são vistas como “pra-frentex” só porque escolheram
sair de casa, jovens e solteiras, para estudar enfermagem e ir num bairro pobre
ser parteiras. O seriado também mostra muitos tipos de preconceito com vários
tipos diferentes de mães, com cada história. É um seriado que conta a história
das mulheres daquela época, e não os homens, como grande parte da
cinematografia faz com a Guerra Fria. Call The Midwife é baseado nos livros da
enfermeira Jenny Worth, que não tem tradução (triste) e ainda não tem a quarta
temporada na Netflix (mais triste ainda).Okay, mais um da época da Guerra Fria, agora fictício, Marvel’s Agent Carter (eu não passei do episódio 5, mas um dia eu vou, okay?). A agente é vista como visionária e ela até sofre preconceito no escritório em que trabalha, por ser mulher, depois de ela trabalhar de igual para igual com o Capitão América (grito) na 2ª Guerra Mundial. Mas, mesmo assim, ela luta contra o crime de maneira excepcional. Obrigada, Marvel, pela Agente Carter! <3 font="">3>
Semana passada, eu
assisti A Outra, filme que retrata o século XVI e o nascimento da Igreja
Anglicana. Tem o Rei Henrique VIII, a Rainha Catarina de Aragão, a Ana Bolena,
a Maria Bolena e a Elizabeth I. No começo, eu fiquei encantada com os vestidos
incríveis que as mulheres usavam e fiquei: Ah, que século lindo! Ah, queria
viver com essas roupas! Mas conforme o filme foi passando... Cara, a Maria
Bolena foi obrigada OBRIGADA a ser amante do rei, e ela já tinha um marido (não
é spoiler do filme, é história), tá, depois ela se apaixonou pelo rei, mas isso
não vem ao caso. O fato é: Todas as mulheres desse filme foram vítimas dos
homens, principalmente do Rei. A Rainha Catarina estava quieta no canto dela e
o Rei quis desfazer seu casamento, porque ela (ELA) não lhe concedeu um
herdeiro (Rapaz, você não sabe do XX e do XY, não? Não, porque não existia
genética naquela época. Mendel só foi nascer em 1822 e estamos falando de por
volta de 1500). A mãe dos Bolenas viu sua filha Maria ser prostituída; Ana ser
exilada, depois de muita coisa, decapitada e Jorge, decapitado também, e a mãe
deles não pode falar nada. A Ana queria ser a amante do Rei, mas ele foi lá e
gostou da Maria, aí a Ana casou-se às escondidas com Henry Percy, mas o casório
deles foi desfeito, porque Henry era prometido à outra. Então, mandaram a Ana
para a Corte da França. Ela voltou de lá com fogo no olho e fez de tudo para
casar-se com o Rei (até quebrar o vínculo com o Papa e a Igreja Católica, e
fazê-lo criar a Igreja Anglicana). Depois de casada com o Rei, ela deu à luz
Elizabeth I, mas nunca um filho, o que a fez pensar (pensar, segundo estudos)
em ter um menino com seu irmão Jorge, mas a esposa de seu irmão, Jane, viu os
dois juntos no quarto e achou que tinha acontecido algo e os entregou para o
Rei. Final da História: Jorge e Ana foram decapitados por incesto, alta traição
e adultério. Jane ficou viúva. Elizabeth I virou órfã de mãe e foi criada pela
tia Maria. A mãe dos Bolenas perdeu dois filhos. Catarina de Aragão foi
humilhada em público e perdeu o trono. E o Rei? Ah, o Rei continuou na mesma
vida. Teve mais quatro esposas depois de Ana Bolena e a vida segue, meu caro!
(Vocês podem ter uma opinião diferente da minha. E isso tudo é o que o filme
mostra, não sei se ele é 100% fiel à verdade.)
Eu terminei semana
passada, o livro Julieta de Anne Fortier. Ele se passa em dois tempos, o
passado e o presente. Por qual vocês acham que eu me apaixonei mais? (“Mais”,
porque o presente foi apaixonante também) Mas pensando bem, Giulietta Tolomei
(a do passado no livro, porque parece que existiu uma Giulietta Tolomei de
verdade)sofreu demais demaaaaaaaais no livro. Sabe, as escolhas que ela faz
para sua vida nunca são escutadas. Ela sempre é governada por homens. As
vontades da pobre Giulietta nunca são respeitadas... Dá dó demais! E ainda:
imagine viver na Idade Média e ser mulher? Credo!
Com Orgulho e
Preconceito, eu sempre me apaixono. Aqueles vestidos, bailes, casarões,
carruagens. Ah, e o Sr. Darcy! S2 O livro fala
sobre preconceito e um pouco dele é para com as mulheres, e você observa que a
Lizzie tem umas ideias diferentes de seu tempo, mas quantos Senhores Darcys
existiam naquela época? Já é difícil achar um hoje! (Mesma pergunta que fiz
sobre os livros da Carina Rissi, lembrando que Perdida tem um pouco de Orgulho
e Preconceito salpicado).
Em Dom Casmurro do Machado de Assis (S2 ) há uma parte que Bentinho diz que viu um moço a cavalo passar na rua para ir até a casa de sua namorada para namorar pela janela. Ela ficaria parada na janela esperando-o e que um dia seria Capitu à janela. Então, Bentinho diz que os românticos (da escola literária) diziam que tudo o que um homem precisava era um cavalo e uma namorada à janela (acho que é isso que diz o trecho, corrijam-me se estiver errada, por favor). Okay, bem fofo, não é? Mas pensa comigo: Ficar à janela esperando o namorado? Ah, fala sério! Vamos sair tomar um sorvete! Vamos ir ao cinema! Por que nós, meninas, tínhamos que esperar o bonito na janela?
Em Dom Casmurro do Machado de Assis (S2 ) há uma parte que Bentinho diz que viu um moço a cavalo passar na rua para ir até a casa de sua namorada para namorar pela janela. Ela ficaria parada na janela esperando-o e que um dia seria Capitu à janela. Então, Bentinho diz que os românticos (da escola literária) diziam que tudo o que um homem precisava era um cavalo e uma namorada à janela (acho que é isso que diz o trecho, corrijam-me se estiver errada, por favor). Okay, bem fofo, não é? Mas pensa comigo: Ficar à janela esperando o namorado? Ah, fala sério! Vamos sair tomar um sorvete! Vamos ir ao cinema! Por que nós, meninas, tínhamos que esperar o bonito na janela?
Mais: Aurélia
Camargo, Senhora de José de Alencar. (Amo esse livro, é maravilhoso!) Aurélia é
vista como uma moça diferente, visionária, moderna. Ela cuida das suas
finanças, ela ministra sua casa, ela lidera o marido e é inteligente. Aurélia
Camargo é demais! Uma personagem incrível! Bem construída. (Posso confessar uma
coisa? Eu leio vários livros e amo muitos, mas, sinceramente, quando eu pego
para ler uma obra consagrada pela Academia de Letras Brasileira ou a Literatura
em si, eu penso: “Não é à toa que ela é consagrada.” Eu sinto como se estivesse
segurando uma obra-prima, um objeto raro, algo especial, um diamante. Vocês me
entendem? Isso acontece com Shakespeare, Jane Austen, José de Alencar, Machado
de Assis, etc. Todos aqueles escritores que aprendemos na aula de Literatura.)
Voltando... Vamos encarar: Nós todas não fazemos as mesmas coisas que Aurélia
Camargo? Minha conclusão é: Criemos a #SomosTodasAuréliaCamargo. Porque, sim, em
minha opinião, todas as mulheres modernas são tão incríveis quanto Aurélia e
ainda mais.
Então, não, se eu
pudesse escolher voltar e viver em algum século passado, depois de pensar
muito, eu prefiro viver onde estou: No século XXI. Aqui eu posso ter uma
profissão (Gente, de fato, estou indo para a faculdade! Vocês sabem o que isso
representa? Chega a arrepiar!); Aqui eu posso escolher ser solteira ou ter uma
família, e tipo, ninguém vai me julgar (eu acho... Não é para julgar, OKAY?); Eu
posso usar vestido sempre que eu quiser, mas no dia que quiser ficar mais a
vontade eu coloco uma calça. Ou uma jardineira, uma saia, um shorts, um macacão
(parei); Eu posso ter participação na política do país: VOTAR! (Acreditam que
tem país ainda que mulher não possa votar? Afffff. Okay, cada país com seu
jeito. Obrigada, Brasil, por me deixar votar!); Eu posso ser presidente (Eu não
quero, mas eu posso. E não me venha falar: Ai, você apoia a Dilma. Meu bem, eu
estou falando um fato histórico e não debatendo política, certo?); Eu posso,
por exemplo, ter esse blog. É sério... é uma conquista! Todas nós podemos expor
nossas opiniões na internet, em uma conversa, na vida! Temos voz! Entre muitas outras coisas que posso fazer no
século XXI, mesmo sendo uma garota. (Ajudem-me a listar o que podemos fazer no
século XXI nos comentários!).
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"Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo". Evelyn Beatrice Hall no livro The Friends of Voltaire. Smith, Elder & Co. 1906.
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